
Levantamento da Check Point sobre o primeiro trimestre de 2026 registrou 2.122 organizações com dados publicados em plataformas de extorsão — sites onde os grupos divulgam o material roubado para pressionar quem não paga. O Brasil apareceu entre os dez países mais atingidos do mundo, respondendo por cerca de 2% das vítimas globais.
O dado que mais importa para empresas de porte médio não é o total. É o perfil: indústria, manufatura, saúde e serviços empresariais lideram a lista. Nenhum desses setores é de tecnologia. São empresas em que a TI existe para manter a operação de pé, quase sempre com equipe pequena ou terceirizada.
Não é escolha, é varredura
A imagem do ataque direcionado — alguém estudando a sua empresa por semanas — descreve uma minoria dos casos. A maior parte começa com varredura automática da internet procurando a mesma coisa: uma porta de acesso remoto exposta, uma senha reaproveitada, um servidor sem atualização.
A empresa não foi escolhida. Ela foi encontrada.
Isso muda a resposta para “somos pequenos demais para virar alvo”. Você é pequeno demais para ser escolhido, mas não para ser encontrado.
A concentração também mudou
Dez grupos concentraram 71% das vítimas do trimestre. Isso significa que o comportamento do atacante é razoavelmente previsível: as mesmas famílias, as mesmas portas de entrada, o mesmo roteiro depois de entrar — procurar o backup, apagar o que der, criptografar o resto e só então avisar.
A ordem importa. O backup é atacado antes da negociação começar, porque é ele que tira o poder de barganha do criminoso.
Três coisas, nesta ordem
Se o orçamento é curto — e na maior parte das empresas ele é — vale concentrar esforço onde o retorno é maior:
- Backup que não pode ser apagado. Retenção imutável ou cópia fora do alcance da rede. Sem isso, todo o resto vira negociação.
- Revisão de acessos. Quem ainda tem VPN, e-mail ou acesso ao compartilhamento e não deveria mais. Ex-funcionário e fornecedor antigo estão nessa lista com uma frequência incômoda.
- Atualização do parque. Sistema sem correção de segurança é a porta que a varredura procura.
Nenhuma das três exige ferramenta nova. Exigem alguém responsável por fazê-las e por comprovar que foram feitas.
O teste que quase ninguém faz
Pergunte à sua equipe de TI, ou ao seu fornecedor, uma pergunta simples: quando foi a última vez que restauramos um backup de verdade, e quanto tempo levou?
Se a resposta for “o relatório diz que está tudo certo”, você não tem backup — tem uma rotina que roda. A diferença entre as duas coisas aparece exatamente no dia em que você precisa dela.
Fonte dos dados: relatório de inteligência de ameaças da Check Point Software sobre o primeiro trimestre de 2026.
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